Amigos, amigos, terapia à parte

Taí um assunto que eu gosto muito de discutir: Porque procurar um psicologo e não um amigo para dividir os problemas? 
Bom, primeiro de tudo acho que existem situações que não precisam ser discutidas, como por exemplo quando a pessoa sente alguma coisa exagerada, fora do normal dela. Quem é ansioso sabe muito bem que é ansioso (de repente da outro nome pra isso, mas entende o que sente), mas se a pessoa começa a ter uns ataques de medo em que acha que vai morrer, desmaiar e acaba ficando mais preocupado ainda, não há duvidas que um psicologo (Cognitivo-Comportamental) poderá ajuda-la. E o mais importante, ajudará a prevenir que isto não evolua para uma doença psicológica de fato. Fico tao feliz quando um paciente me procura depois de ter tido 2 ou 3 ataques de ansiedade, e não depois de 2, 3, 5 anos de Panico e Depressão. Fica tudo mais fácil para todo mundo. Para mim (pois meu trabalho será muito mais simples e pontual), para a pessoa (a maior beneficiada! Sofre menos tempo e adquire um controle emocional maior sobre sua vida: amadurece, se equilibra), e para a família (ah a família, como sofre...conviver com ansioso e deprimido no dia a dia não é mole não, gente!).

Mas e nos outros casos, assim de um vazio que vai e vem, de uma falta de motivação, um sentimento de incompletitude ou de "nhé, tanto faz"? Ou aquela insonia que não vai embora, aquela vontade repentina de esganar alguém, uma raiva tão grande que até assusta? Ah, e o perfeccionismo que acaba levando ao cansaço e a frustração, que dificulta o relacionamento com outras pessoas, atrasa o trabalho, e gera briga em casa porque ninguém consegue fazer nada direito? Ou a sensação de que ninguém te entende, que o mundo segue outra direção, que todo mundo parece alienado, menos você!? Isso é motivo suficiente para investir num psicólogo?


Vou te falar porque muitas vezes um amigo, ou familiar não serve para nos ajudar. E aí você tenta concluir, se então um psicólogo pode ser a melhor alternativa, ok?

As pessoas que convivemos estão ligadas a nós por uma dinâmica especifica de relação. Traduzindo, a maneira como você pensa e se comporta altera a relação que você tem com as pessoas ao seu redor. 
Se você é ansioso, há toda uma dinâmica naturalmente estabelecida pelas outras pessoas de como lidar com você (e vice e versa). Ser ansioso demais, pode significar ser carente e dependente ou ser controlador e autoritário, por exemplo. Então, as pessoas convivem com você esperando essas atitudes suas. Mas, não raro, o que mais a gente precisa é mudar o posicionamento diante da vida e, consequentemente, essas dinâmicas de relação. Quem está envolvido na relação, dificilmente vai te ajudar a muda-la tão drasticamente. Por isso, que para muitas coisas, o conselho de amigo ajuda bastante: para mudanças mais artificiais, coisas mais pontuais. Já para mudar nosso modo de pensar, de reagir as coisas e de agir diante da vida, dá mais certo se você tiver uma ajuda de um profissional que foi treinado somente para fazer isso, o Psicólogo!  
Volta e meia eu dou uma tipo de alerta para meus pacientes antes de acontecer: "Fique atenta e firme na sua mudança, mas uma hora ou outra você vai ver e sentir uma certa resistência, a essa sua mudança de atitude, das pessoas ao seu redor (principalmente família e amigos) ... Você mudando, muda automaticamente a relação com eles." E acontece isso mesmo, mas nada que não seja manejado na própria terapia. É importante entender que as pessoas não fazem isso por mal, é uma reação natural, toda vez que algo em nossa convivência tende a sair daquele "status quo", daquele jeito que sempre foi, a gente balança...E sabe como é, né?! Gente gosta de estabilidade, nada de balancos, mudanças...
  

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